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Carta a um possível empreendedor

Caro leitor,

Se você chegou a essa carta, talvez você seja empreendedor e busque novos conhecimentos, talvez você deseje ser empreendedor e busque saber mais sobre essa vida e seu cotidiano, talvez e só talvez você esteja lendo por pura vontade de conhecimento ou, quem sabe, procurando informações para o seu trabalho da faculdade. Eu te alerto do seguinte: a mensagem que quero te passar, independente do seu objetivo, vai te ajudar um dia na vida a empreender, mesmo que você decida não ser empreendedor de carreira.

Você já deve ter lido que ser empreendedor não é fácil. É verdade. A quantidade de energia despendida para a transformação de uma ideia em realidade não é tão simples quanto o que se imagina. No decorrer do caminho, durante a tal da execução, são sempre notadas dificuldades tão grandes que antes, na formulação da ideia, não seria totalmente possível. Mas o que na vida a realidade não se apresenta mais complexa do que no mundo das ideias, meu caro leitor? O que não falta é literatura explicando o quanto um empreendedor deve se portar para atingir sucesso, quais qualidades são inerentes dessa bem aventurada figura que parece já residir no imaginário da população. Até que ponto essa tarefa é árdua? Que qualidades são essas? Seria realmente importante tê-las para ser empreendedor? Acompanhe.

Em uma simples pesquisa, nobre colega, foi encontrado no Sebrae, o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas, o que eles entendem por ser empreendedor. Num artigo com um toque bastante poético, diga-se de passagem, o Sebrae afirmou que “empreendedores fogem do princípio estático, imutável”, ou em outras palavras: são indivíduos inquietos e que procuram sempre inconsistências ao seu redor que podem servir de oportunidade para transformar uma oportunidade em algo que gere riqueza, no sentido amplo da palavra. Estar insatisfeito com o estado atual das coisas é preponderante para empreender. Óbvio, não é? Certamente se o empreendedor estivesse satisfeito e conformado com tudo, não haveria espaço para aperfeiçoar, para inovar.

Você, caro leitor, pode ainda não ter notado, por exemplo, que a adaptação é uma característica que é largamente utilizada pelos artigos espalhados nos livres bytes da internet. Pesquise os dois termos (empreendedor e adaptativo) juntos e saberá que não é mero discurso. Em um mercado em constante mutação, o nível de competição aumenta proporcionalmente com um número maior de concorrentes. Só em 2012 foram movimentados R$ 2 bilhões de reais em um número de empresas que chegou a 10.000 no mesmo ano, segundo a revista Pequenas Empresas e Grandes Negócios. Qual característica que poderá fornecer melhor condição para não ser devorado por esse mercado que não seja a adaptação? Mas se faça a pergunta: aonde a adaptação não se aplica hoje em qualquer instância de qualquer profissão no mercado de trabalho?

Desde quando a natureza é o que é, sermos adaptativos não é qualidade, é requisito. Assim é na vida em sociedade também, mais ainda num ambiente competitivo. Se adaptar é, na verdade, uma necessidade por força do mercado e da natureza de mercado. O mercado está para as pessoas, o que a Natureza para a Terra. Para driblar a seca, a Sabesp (a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo), contratou a empresa ModClima, empresa que utiliza a tecnologia de aceleração de precipitações sem se fazer valer de produtos químicos. O processo utilizado não vem a calhar, o que importa é que só “é possível ‘criar’ chuvas de 5 a 40 milímetros”, diz o Globo Rural em reportagem. Não soluciona a seca, mas é um paliativo. Analogamente, a natureza, apresentando seus efeitos (a seca) é o mercado, a Sabesp é o cliente e a MedClean é o empreendedor. Não restava outra alternativa a curto e médio prazo para Sabesp que não se adaptar para sobreviver.

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Criatividade anda de mãos dadas com adaptação

Não se engane, caro leitor, ninguém pode controlar todas as ações individuais de tudo e todos ao mesmo tempo. As escolhas individuais e a livre iniciativa são o resumo da opera no empreendedorismo, e tudo é permitido dentro dos limites éticos. Pois bem, vamos ser claros: ser adaptativo não é apenas exigência da atividade empreendedora, é inerente à qualquer aspecto e atividade da nossa vida em terra.

Mas não é só adaptativo, são também mencionadas a resiliência, flexibilidade, humildade, disciplina, foco, energia, iniciativa, saber se relacionar, comunicativo, otimismo, ter visão, persistência, comprometimento, saber correr riscos, eficiência, persuasão, autoconfiante, independente, corajoso, perseverante, líder, enfim, no mínimo perfeito, nobre amigo. Talvez alguém, em algum lugar, desistiu de empreender ou não se reconhece como um empreendedor por que notou em si a falta de uma característica que não se encaixa nas citadas acima ou nalguma deixada de ser citada por quem vos escreve, mas mencionada por algum especialista por aí na extensa literatura de achologia científica da internet.

O empreendedor é, segundo o Dicionário de Negócios escrito por Francisco Lacombe, “uma pessoa que percebe oportunidades de oferecer no mercado novos produtos, serviços e processos”, diz o Administrador. “E tem a coragem para assumir riscos e habilidades para inovar e aproveitar essas oportunidades.”. O resto é conversa. Você pode decidir lucrar ou não com a atividade, mas o lucro não é o objetivo da atividade empreendedora. Qualidades a mais se discutem apenas para a construção de um ser humano melhor em sociedade, que possivelmente podem melhorar o desempenho da atividade empreendedora. Tendo esclarecido isto, tenha em mente uma qualidade fundamental para ser um ser humano melhor e que o ajudará a empreender: a alteridade. Só.

Boa jornada!

Administrador formado pela Universidade Católica do Salvador com uma missão: popularizar o verdadeiro conhecimento em Administração e sua real relevância para uma vida com mais qualidade para se viver em sociedade e individualmente. Escreve no Blog http://www.tutusadministratus.com/

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