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Organização financeira para te blindar da crise

No ano passado, a taxa média de desemprego ficou em 8,5%, quase 2 por cento a mais que se compararmos os números de 2014. É ainda a mais alta em dois anos.

Assustador, né?

Como as perspectivas dos economistas para 2016 não são nada animadoras, os números podem sim piorar, e mais demissões podem acontecer.

O que pega mesmo é que as empresas seguram as pontas o quanto podem antes de demitir, que geralmente acontece em último caso.

Mas infortunadamente, isso pode acontecer em qualquer negócio, e se você for um trabalhador formal, pode ser surpreendido com uma carta de demissão na sua frente.

Mesmo sem a demissão, o arrocho salarial, a falta de pagamento e até mesmo a alta inflação podem nos comprometer seriamente, e afetar inesperadamente o andamento de nossas finanças.

Uma situação que pode não mudar nos próximos meses ou anos.

Por isso, tenha ciência da sua situação financeira e se prepare melhor para enfrentar uma situação complicada, com alta de preços, tributos e juros.

Vamos mostrar como algumas ações pontuais podem te ajudar a conquistar uma reserva essencial para manter suas despesas numa emergência.

Nesse momento, é preciso mudar o comportamento, fazer escolhas e diminuir as dívidas para ter menos reflexos nas finanças pessoais.

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Antes, entenda o cenário

O brasileiro em geral não se importa muito com o que está acontecendo lá fora, quando se trata de economia. O que tem importância mesmo é garantir o emprego, um pouco de diversão e a feira da semana. No máximo uma reclamação ou outra sobre um produto que subiu muito o preço, mas que não dá pra ficar sem.

O que ocorre fora do país não é assunto de rodas de conversa por aqui. Pelo menos na maioria delas.

Toda essa situação que vemos nos jornais todos os dias é reflexo, basicamente, de uma junção de fatores que ocorrem nos mercados interno e externo.

Aqui dentro, há uma estagnação profunda, somada ao grande índice de inadimplência da população. E lá fora, o crescimento dos países que fazem negócios com o Brasil também está estagnado, o que dificulta a movimentação da nossa economia.

Não podemos porém subestimar o tamanho do problema, sob pena de nos prejudicarmos e também à quem depende da gente.

Livrai-nos das dívidas

Comece pelo básico. Como a maioria do brasileiros, você deve ter alguma dívida, principalmente prestações que vão vencer no cartão de crédito.

Pode parecer impossível, mas é exatamente nesses momentos de instabilidade econômica que os credores oferecem as melhores condições para negociações.

Se isso não for feito o quanto antes, pode ter certeza que a alta dos juros vai fazer com que as dívidas virem uma bola de neve, e prejudiquem a saúde financeira do seu bolso no futuro.

Tenha uma gorda reserva

Aposte em uma reserva mínima acumulada para as emergências.

Uma sugestão é pensar em um valor entre 6 e 12 vezes o valor referente a seus gastos mensais. Você deve entender o quanto é o mínimo para passar por um momento conturbado – que ninguém sabe quanto tempo vai durar.

Também não sabemos ao certo em quanto tempo um profissional consegue se realocar no mercado de trabalho. Uma pesquisa feita pelo site Catho apontou que o brasileiro demora, em média, 6 meses para voltar ao mercado.

Plano financeiro

Um planejamento serve para como guia, certo? Na teoria, quando se cria um, deve-se cumpri-lo até o fim, concorda?

Mas acontece que muita gente se deixa enganar e acaba não cumprindo.

Dificilmente algo que você planeja vá sair da mesma forma pensada inicialmente. No fim, todo plano deve sim ser flexível, e ajustes periódicos são necessários.

Procure manter sempre as rédeas da situação e nunca perca o controle.

Investimentos mais favoráveis

Com a alta de juros dos bancos, esse é um bom momento para quem quer investir, sempre com objetivos e procurando o melhor rendimento.

Como?

No mercado financeiro, existem diversas opções de aplicação em ativos financeiros com riscos diferentes.

Em cenários incertos é melhor não se aventurar muito. Aplique seu dinheiro em investimentos de baixo risco, como fundos referenciados DI ou títulos do Tesouro.

Procure também variar o investimento de acordo com o tempo que utilizará o dinheiro.

De forma geral, o risco de uma aplicação financeira é diretamente proporcional à rentabilidade desejada pelo empreendedor, ou seja, quanto maior o retorno estimado pelo tipo de aplicação escolhida, maior será o risco. Por isso, deve-se ter cautela e regular a sede ao pote.

Limite suas aplicações com prazos de vencimentos mais longos ou de alta volatilidade, principalmente se você perceber que está na corda bamba no emprego.

O alto índice de desemprego e a alta inflação são experiências que tendem deixar as pessoas mais pessimistas, com menos apetite por risco e mais desconfiadas do mercado financeiro.

Fundos cambiais de ações e até os fundos multimercados de alto risco podem apresentar variações negativas no curto prazo, e como a sua preocupação é com os próximos meses, restrinja essas aplicações a percentuais reduzidos.

Em busca da formalização

Se a crise financeira está aí para quem quer ver, talvez seja interessante analisar sua situação profissional mesmo estando empregado.

Te jogo uma pergunta: seu salário é compatível ao que você faz? Há chance de negociação? Caso isso não seja possível (o que na maioria das vezes não é), uma solução é procurar fontes alternativas de renda.

Nesse cenário, uma modalidade de empreendedorismo vem se destacando no país: os microempreendedores individuais (MEI), aqueles com faturamento anual de até R$ 60 mil.

Quem também não tem carteira assinada, pode aproveitar o momento para se transformar em MEI e formalizar o bico ou atividade autônoma.

É um processo de profissionalização para aproveitar as oportunidades que aparecerem. O MEI tem benefícios, como o de emitir nota fiscal, e com isso aumentar as possibilidades de negócios.

Os números mais recentes tem apontado um aumento no empreendedorismo por necessidade. Muitas vezes o MEI acaba sendo uma maneira de formalização para uma pessoa que saiu de um trabalho tradicional.

Faça uma faxina financeira

Você tem noção que cerca de 25% dos nossos gastos são com artigos e ações supérfulas?

O que mais se escuta é que “não há mais onde cortar”, mas depois de parar para analisar, é possível sim.

Uma boa maneira de enxergar isso é fazer um estudo da sua vida financeira por um mês, anotando tudo o que gasta por tipo de despesa, até mesmo os cafezinhos, pedágios e aquele trocado no sinal. Existem ferramentas para ajudar nessa tarefa, que falaremos ainda nesse artigo.

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Sonhando acordado – e com os pés no chão

Trabalhe a objetivação de desejos e sonhos para ter mais foco e evitar a vontade desnecessária de gastar dinheiro.

Conte com a sua família nesse momento.

Converse sobre os objetivos a curto (até um ano), médio (até dez anos) e longo (acima de dez anos) prazos, definindo também quanto custam e quanto poderão poupar por mês para realizá-los.

Muita gente que era rica não soube se preparar para isso e hoje não tem mais nada. A mesma coisa com famílias… muitas acabaram com verdadeiras fortunas por não dar atenção à crises ou por terem reagido tarde demais.

Conte com a família para, além de compartilhar metas, explicar a situação que o país atravessa e pedir ajuda para controlar melhor as despesas. Essa é uma questão de sobrevivência e garantia de uma estabilidade futura.

Não adianta de nada o patriarca poupar enquanto o resto gasta tudo. É importante que todos estejam juntos, e contribuam para a vida financeira da família.

Procure seu companheiro ou companheira, ou alguém de confiança, para compartilhar decisões e responsabilidades. Nesta hora, duas ou mais cabeças pensam e conseguem melhores soluções para os problemas.

Trabalhe com um orçamento real

Um erro bastante comum é pensar que orçamento financeiro da família se resume a contabilizar lucros e prejuízos. Ou seja, o que sobra é lucro e o que falta é prejuízo.

A “fórmula correta” consiste em elaborar o registro de todas as receitas mensais, separar a previsão de valores para os projetos da família (emergências, tratamentos de saúde ou viagens de negócios por exemplo), e depois, com o que sobrar, adequar os gastos e necessidades da família.

Isso forçará um ajuste do padrão de vida familiar para conquistas financeiras.

Onde a nova geração entra nisso

“Os jovens universitários tem planos para o futuro, mas não conhecem o caminho para utilizar o seu dinheiro a favor de seus sonhos”.

Essa foi a conclusão é de estudo realizado no ano passado pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e Capital, a ANBIMA.

O estudo traçou um perfil financeiro dos alunos de uma faculdade paulista, mas que reflete um cenário em todo o país.

Isso revela como a falta de controle no orçamento é a principal dificuldade para que eles se tornem investidores, além do fato de acharem muito difícil decidir entre as inúmeras opções que existem no mercado.

A pesquisa também revelou que a grande maioria é conservadora e possui poucos recursos para investir. E também falta conhecimento.

Ou seja, se você é jovem ou possui filhos jovens, tente criar desde cedo o conhecimento maior sobre como poupar e aplicar melhor o dinheiro no futuro.

Controle os impulsos 

Uma outra dica é evitar gastos extras ocasionados por puro impulso. Muita gente acha difícil (ou até constrangedor) entrar numa loja sem levar nada… então nem invente de ir a shoppings, por exemplo, onde a tentação é grande.

Se não tiver jeito, pergunte a si mesmo se há a necessidade de comprar aquilo, e se não é um gasto desnecessário.

Invista em pesquisas antes de sair comprando. Faça visitas a outras e compare preços. Desta forma, você não corre o risco de descobrir só depois de comprar que podia ter economizado uma boa grana – que fará falta.

Trabalhe a flexibilidade

Nesse momento, trabalhe seus hábitos de consumo de forma diferente. Seja flexível e abra a mente para pequenas mudanças que podem surtir um bom efeito.

Um exemplo prático: no supermercado.

Na hora da escolha do que colocar no carrinho, opte por substituir produtos de marcas que você está acostumado por similares, mais em conta. Isso não quer dizer que você vai abrir mão da qualidade, por isso, leia os rótulos e faça comparações.

Aproveite as ofertas, e deixe de lado alguns alimentos industrializados (geralmente, mais caros). Mas não é uma regra. As vezes os 100% naturais pesam mais no bolso.

No hortifrúti, dê preferência às frutas da estação, que são mais baratas, e no açougue, troque proteínas mais caras por carne menos nobres ou frango.

Não deixe de pechinchar 

Com as vendas no comércio em queda, os descontos e promoções relâmpago são estratégias constantemente usadas para que comerciantes consigam fechar as contas no azul.

Então não se intimide em pechinchar e dar aquela famoso choro.

Lembre-se que em alguns ramos, pagamentos à vista costumam render bons descontos. E esteja sempre de olho nas possibilidades de parcelamento sem juros.

Cuidado com o cartão de crédito

Esteja ciente porém que os cartões de créditos podem te ajudar a sair do sufoco em determinadas ocasiões. Por isso, pense bem se vale a pena cair na tentação dos parcelamentos.

Quem usa demais o cartão de crédito e abusa de muitas parcelas acaba perdendo a real noção do que gastou.

Sendo assim, o mais apropriado é pagar suas contas em dinheiro vivo, negociando os valores.

Deixe o cartão reservado para uma situação emergencial, ou para usá-lo em situações realmente necessárias, como a compra de passagens aéreas por exemplo.

Outras dicas rápidas

Deixe a troca da geladeira, do carro ou do estofado para outro momento. Tenha sempre em mente que é preciso seguir regras para equilibrar o orçamento de maneira que a rotina da família não seja afetada.

É melhor adiar a aquisição de um imóvel também. Os juros estão altos e o futuro é incerto.

O ideal mesmo é aguardar a situação amenizar para conseguir fazer bons negócios.

Fazer planejamento não é necessariamente cortar gastos. Organização financeira é, na verdade, sinônimo de escolhas. Uma maneira de olhar o dinheiro de forma estratégica para gastar melhor o salário.

Em uma situação de aperto econômico, deve-se estar atento a alguns desperdícios, como desligar lâmpadas em ambientes sem ninguém por perto, regular o tempo de banho e frequentar certos lugares menos vezes por mês, como os restaurantes.

Não assuma nenhuma prestação nova e reveja os planos de assinatura da TV a cabo e internet (há opções mais em conta, e se você parar para pensar, pode não ter tanto impacto na sua rotina).

Outra dica para economizar é substituir a empregada doméstica mensal por uma diarista, que trabalhe uma ou algumas vezes por semana. Com o alto preço da gasolina, pense em substituir o meio de transporte até o trabalho alguns dias por semana. Pode ser uma boa.

Mirando na aposentadoria

Na crise, cresce o desafio de planejar a aposentadoria.

Há pessoas que já investem na aposentadoria há um tempo, mas que, ao sentir o aperto no orçamento, desistem de fazer contribuições, à espera de dias melhores.

Do outro lado, estão os mais relutantes que, por necessidade, escolhem eliminar outros gastos a deixar de investir na tão sonhada aposentadoria, sabendo que o valor economizado pode fazer falta.

Pra quem já começou a planejar a aposentadoria ou outro objetivo de longo prazo, esse pode ser um bom momento. Tudo, claro, fazendo um bom controle do orçamento.

Para planejar os investimentos que bancarão a aposentadoria, é necessário apostar na diversificação da carteira, e o que virá dentro dela depende dos objetivos a longo prazo, da capacidade de poupança, do horizonte temporal, e da tolerância ao risco.

O melhor perfil de rendimento da carteira é a diversificada entre várias classes de ativos, como os renda fixa ou ações, e entre vários tipos de ativos dentro da mesma classe – como por exemplo, imóveis em diferentes regiões.

Combinando esses ativos com baixa correlação, pode-se reduzir os riscos e aumentar o retorno a longo prazo.

Mas lembre-se que adefinição do patrimônio necessário para aposentadoria e da alocação de ativos ideal é específica para cada pessoa, e deve ser feita com a ajuda de um profissional qualificado e de confiança.

Porém, não deixe tudo na mão de outras pessoas. Monitore de perto e esteja atento para trocar as aplicações conforme as mudanças de cenários que podem ocorrer.

Se você ainda nem pensou sobre o assunto, não espere até o próximo ciclo de recessão para começar.

Conte com a tecnologia

Existem nas lojas de aplicativos para smartphones algumas opções gratuitas que podem te ajudar a controlar os gastos e rendimentos.

São opções para os três principais sistemas operacionais portáteis da atualidade: Android, iOS e Windows Phone.

Por meio deles é possível registrar quanto se ganha e gasta, facilitando o controle das contas.

Conheça os mais populares:

- Finance (para Android e iOS) – é um dos aplicativos de finanças mais bem avaliados pelos usuários da Apple Store e do Google Play Store. É completo no quesito controle de finanças pessoais, mas pode confundir um pouco quem não manja muito de linguagem financeira. Mas, por ter suporte em português, permite enviar sugestões e tirar dúvidas junto aos desenvolvedores.

Dá pra fazer o controle de contas em quatro moedas: real (Brasil), dólar (Estados Unidos), libra (Inglaterra) e euro (Alemanha e Portugal).

A versão gratuita contêm anúncios que podem ser removidos com a aquisição da versão PRO.

- Mobills (para Android, Windows Phone e iOS) – bem intuitivo, fácil de usar, e serve para quem busca simplicidade. Dá pra controlar várias contas e vários cartões de crédito.

Possui gráficos interativos que o ajudam a analisar suas despesas e receitas. Tem a opção de sincronização com nuvem, extrato mensal por categorias, alertas por e-mail e notificações de contas a pagar. Também pode ser protegido por senha de 4 dígitos e Touch ID.

- Minhas economias (para Android e iOS) – nele, o usuário pode cadastrar despesas, receitas e transferências, programar transações, lançar parcelamentos e cadastrar lembretes para pagamentos.

O cadastro é anônimo, não há operações financeiras efetivas, o app é protegido com um código de segurança de 4 dígitos e a sincronização é feita com conexão criptografada.

- MoneyWise (para Android) – é um dos mais completos do mercado. A promessa é que, com ele, você consiga assumir o controle das finanças e acompanhar as despesas diárias, sem ultrapassar limites.

Usando gráficos e filtros, você tem uma visão geral dos padrões de gastos e também pode expandir para ver os detalhes. Para uma análise mais abrangente de sua situação financeira, você pode facilmente exportar todos os dados para seu computador e importá-los em um aplicativo de planilhas, como o Excel.

E mais: não exige acesso à internet nem registro, aceita todas as moedas (incluindo conversão de moeda com taxas de câmbio configuradas manualmente), dá direito a múltiplas contas e proteção por senha.

- Finanças Pessoais (para Android) – oferece uma opção de controle de suas despesas, e um relatório completo de suas finanças no seu bolso.

Além do aplicativo, eles possuem um blog de finanças pessoais que pode te ajudar a entender o cenário financeiro, quais as vantagens e desvantagens de cada cartão, investimento, cenário do pais e muitas dicas.

Oferece também uma opção de enviar e-mails com dicas e sugestões para melhorar o seu entendimento do mercado financeiro, encargos, cartões de créditos, bancos e investimentos.

O controle de cartões de créditos só funciona para quem paga a versão Premium.

Não se desespere

Todo ciclo por mais longo que seja acaba tendo (um dia!) um fim.

Siga seu planejamento, utilize os recursos disponíveis (financeiros e tecnológicos) de forma inteligente. Dessa forma, você conseguirá ter o controle da suas contas e estará mais preparado se tiver que frear novamente

Você tem reserva para emergências? Por quanto tempo conseguiria pagar suas contas se perdesse o emprego?

Essas são duas perguntas que devemos sempre saber responder, independente do momento.

Tantas crises vieram e foram embora, não é verdade?

Esta que estamos vivendo agora não vai ser diferente. Em algum momento, a economia vai reagir e as coisas devem melhorar.

Mas, enquanto a bonança não chega, você está preparado?

Conte pra gente através dos comentários outras experiências que têm dado certo para poupar uma grana e se manter tranquilo.

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