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Plano de Negócios: Um instrumento para minimizar o risco

O empreendedorismo, aqui no Brasil, têm muitos poréns que impedem o seu florescer. Um deles é o tempo de abertura médio de uma empresa. O Banco Mundial apurou em 2013 que o tempo médio levado para abrir uma empresa no Brasil é de 108 dias – apesar do recente esforço do Palácio do Planalto que busca a criação de um mecanismo que reduza o tempo para 5 dias, o empreendedor continua a sofrer porque o mecanismo parece não ter saído do papel ainda.

Outro empecilho é a taxa de sobrevivência das pequenas e médias empresas: dois anos. O Sebrae divulgou um estudo (página 8) onde foi apurado que 75,6% das empresas com até dois anos conseguiram sobreviver após o período de abertura, isto é, 75 de 100 conseguem passar pelos dois primeiros anos de turbulência. Por mais que a taxa de sobrevivência tenha melhorado em 2013, 25 dessas vêm a falir, o que é um número alto, levando o leigo motivado a abrir seu negócio a fazer questionamentos se é vantajoso se tornar um empreendedor.

Burocracia, impostos, custo para abertura legal etc. tudo isso desanima, mas a pergunta não cala: apesar de tudo, há alguma ferramenta de redução do risco para que o empreendimento não passe pelo o que as 25% da empresa apresentaram?

Sim, o plano de negócios. Mas antes cabe aqui lembrar que o empreendedor é “uma pessoa que percebe oportunidades de oferecer no mercado novos produtos, serviços e processos e tem a coragem para assumir riscos e habilidades para inovar e aproveitar essas oportunidades”. Sabendo disso, nenhum plano é válido sem que seja desenvolvido em cima de uma ideia. O plano minimiza os riscos de insucesso da ideia quando for partir para a execução.

Segundo os autores do livro Empreendedorismo, Robert Hisrich, Michael Peters e Deana Shepherd, o plano de negócios é um “documento preparado pelo empreendedor em que são descritos todos os elementos externos e internos relevantes” afirma os autores “para o início de um novo empreendimento”.

O plano de negócios

O plano de negócios é um documento importantíssimo, nele é contido vários temas de estudos que podem demonstrar a viabilidade do negócio, não só econômico-financeira, mas também no sentido do objetivo ao qual o empreendimento surge. Para entender melhor basta analisar a seguinte pergunta: qual é o seu negócio? Qual é a finalidade do seu negócio? Será que a finalidade do negócio garante a sobrevivência da sua empresa? Num primeiro momento parece óbvio qual seria o tipo de resposta para cada pergunta, mas quando se debruça sob o tema percebe-se que é muito mais complicado do que o que se parece.

Fazer o plano previne dores de cabeça e perdas significativas de dinheiro, uma vez que ao final do plano pode ser constatado se o negócio possui viabilidade ou não. Muitas vezes a ideia é muito boa, mas na elaboração de um plano de negócios é possível notar o surgimento de empecilhos durante a execução que podem ser substanciais para o fracasso de um negócio

Plano de Negocios

Plano de Negocios

Suponha que para se fazer uma viagem de São Paulo para o Rio de Janeiro, precisa-se levar em consideração a montagem de um plano onde conterá o orçamento do combustível, o tamanho da estrada, a utilização de GPS, condições climáticas etc. Tal qual esses itens estão para o plano da viagem, o perfil do cliente, tamanho do mercado, capacidade de produção, fornecedores de matéria prima, orçamento empresarial, formas de penetração no mercado, estrutura organizacional, missão, visão e objetivos estão para o plano de negócios.

É de suma importância que o plano de negócios precisa ser irrestritamente redigido pelo empreendedor, pois como a empresa é a concepção de suas ideias, logo se faz necessário que ele redija. Entretanto, redigir não implica que o empreendedor não deva se consultar sobre sua montagem – quem não possui o conhecimento adequado para a sua elaboração deve procurar algum consultor capaz de fornecer um bom arcabouço para a boa concepção do conteúdo.

Elementos do plano

Dentro do plano deve conter, para se ter ideia do quanto ele deve ser completo, o resumo executivo, a análise do setor, a descrição do empreendimento, o plano de produção, plano operacional, plano de marketing, plano organização, a avaliação do risco, plano financeiro.

O resumo executivo é uma espécie de compactação do plano de negócios, onde se destaca os pontos chaves e cruciais.

A análise do setor consiste em avaliar em 360º todo o ambiente que gira em torno do possível empreendimento, principalmente as preocupações legais. Itens como economia, cultura, tecnologia, demanda do setor e concorrência.

A descrição do empreendimento inclui os produtos da empresa, serviço, dimensão do negócio que ela terá, equipamentos da empresa, histórico dos empreendedores, missão, visão e objetivos e tudo que discerne aspectos internos.

O plano de produção, caso seja uma empresa de produção, deve conter o processo de produção, as instalações, maquinário, fornecedores de matéria prima, capacidade de produção, orçamento de produção e tudo o que envolve a produção. Caso seja empresa de serviço é preciso analisar as condições operacionais para o funcionamento dele, daí, a depender do tipo de serviço, cada um terá suas peculiaridades.

O plano de marketing discerne sobre o cálculo de preços, perfil do cliente, distribuição, promoção, publicidade e propaganda e controles. Além disso é necessário fazer uma análise S.W.O.T da empresa.

O plano organizacional define a forma de propriedade, quantidade de funcionários, estrutura da organização, funções e responsabilidades, poder e autoridade dos diretores etc.

A avaliação de risco é um ponto que deve ir além da análise S.W.O.T, deve averiguar adequadamente o ponto fraco da empresa. Depois de todo o trabalho é preciso conhecer aonde a empresa é falha, para quando ela iniciar suas atividades busque, com o lucro aferido, minimizar essas falhas.

Por fim, o plano financeiro é outro item necessário e importantíssimo. Dele deve conter premissas, demonstrativos contábeis, análise do ponto de equilíbrio e fontes de financiamento.

Conclusão

O plano é o procedimento médico do empreendedor que demonstra o resultado por via do checkup da empresa, inserida em um contexto, cuja finalidade reside em prevenir doenças crônicas advindo ou do ambiente externo e ou do interno que poderiam ser evitadas com esta anamnese adequada.

Após aberta, a empresa precisará sempre rever, com o tempo, o seu plano de negócios, pois se para prevenir o surgimento de “doenças” na sua abertura e primeiro ano foi preciso o plano, para ela se perpetuar é preciso existir um planejamento contínuo.

Referência e recomendação de leitura

Robert D. Hisrich, Michael P. Peters, Dean A. Shepherd; Empreendedorismo; tradução Teresa Felix de Sousa. – 7. ed. – Porto Alegre: Bookman, 2009. 664 p.

Administrador formado pela Universidade Católica do Salvador com uma missão: popularizar o verdadeiro conhecimento em Administração e sua real relevância para uma vida com mais qualidade para se viver em sociedade e individualmente. Escreve no Blog http://www.tutusadministratus.com/

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