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Principais critérios de desempate em um processo seletivo

Muitas pessoas se perguntam “o que poderia ter feito a mais” após participar de uma entrevista de emprego. Outras vezes, diante da negativa, o questionamento é algo em torno de “o que o profissional escolhido(a) tem que eu não tenho?”.

São dúvidas que apontam certeiras para estatísticas que ajudam a entender o que os recrutadores analisam. Os resultados nem sempre são fáceis de prever, mas existem alguns gatilhos comportamentais e competências técnicas que fazem um profissional ter destaque em uma situação de dúvida – como um empate.

O que normalmente acontece quando há mais de um candidato qualificado para uma vaga é a percepção de qualidades mais intangíveis e subjetivas, além de competências imateriais, como postura, atitude, o fato de ser simpático, agradável… tudo depende do processo, da área, da empresa e do cargo pretendido.

A dúvida por parte dos recrutadores só é sanada quando se estabelece algum critério de desempate que se adapte às políticas de contratação e qualificação da empresa.

Portanto, vamos mostrar aqui alguns dos fundamentos mais utilizados para determinar contratações em empresas. São características que, se estudadas, ajudam a compreender o que houve e também se preparar melhor para uma entrevista futura.

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O que dizem as pesquisas sobre o assunto

Várias empresas especializadas em Recursos Humanos promovem levantamentos e pesquisas para tentar entender as avaliações feitas dentro de organizações no mundo todo.

Na pesquisa mais recente (2014) do site Catho Online, a maior nota conseguida para a determinação de uma contratação está atrelada às competências comportamentais do candidato.

Já a CarreerBuilder, site americano especializada em divulgação de vagas e aconselhamento de carreira, consultou um grupo com mais de 2 mil profissionais na área para tentar entender os critérios avaliados em um desempate. O resultado?

O “senso de humor” foi o fator escolhido por 27% dos entrevistados para bater o martelo. Em segundo lugar, está o “envolvimento com a comunidade”, bem encostado, com 26% dos votos. Já o quesito “estar bem vestido” ficou em terceiro lugar, de acordo com 22% dos recrutadores que responderam os questionários do site.

Ou seja, segundo esse levantamento, temos três critérios de naturezas distintas – uma comportamental (senso de humor e simpatia), outra relativa às experiências (envolvimento com a comunidade, que se dá por trabalhos voluntários por exemplo) e por um aspecto visual (estar bem vestido e ter uma boa aparência).

Por esse motivo, vamos trabalhar com essas três vertentes para determinar o que pode te ajudar em um processo de empate, com algumas dicas extras.

Um bom currículo

Antes de explorarmos mais essas características, vamos falar um pouco sobre a importância de um bom currículo.

Até chegar à etapa da entrevista, recrutadores fazem uma análise curricular para saber se o candidato possui as habilidades técnicas, conhecimentos e experiências compatíveis com a vaga em aberto. Desde os lugares por onde passou, passando pelos conhecimentos de informática e também a familiaridade com outros idiomas fora o português.

O bom currículo, bem escrito e bem dividido, é um instrumento que determina a convocação para uma próxima fase. Ele é a sua apresentação pessoal e primeiro contato com as empresas.

E bem por isso, este é um dos critérios de eliminação de muitos candidatos, pois currículos mal feitos nem mesmo são totalmente lidos pelos entrevistadores.

Por isso, se dedique na redação do seu currículo e não desperdice a chance de ser chamado para uma etapa presencial, onde você pode convencer melhor de que merece ocupar aquela vaga.

A primeira impressão

Depois de ser aprovado na triagem de currículos, o que geralmente é a primeira etapa de um processo seletivo, chegou a hora da entrevista. Agora, o candidato ficará frente à frente com o profissional do Recursos Humanos ou o responsável direto pela sua contratação na empresa. Ela pode ser feita por video conferência também.

Uma entrevista de emprego dura, em média, 40 minutos. E segundo especialistas, 1 em cada 3 recrutadores determinam se vão contratar o candidato nos primeiros 90 segundos!

Para eles, 1 minuto e meio é tempo suficiente para uma análise visual, comportamental e verbal do recrutado.

Essa é uma constatação muito forte que revela a importância da frase que diz que “a primeira impressão que fica”.

Comportamento – o senso de humor no topo

Os gestores das empresas têm uma preocupação grande em avaliar não só as competências profissionais, como também pessoais dos candidatos. Hoje é comum que as empresas valorizem o comportamento do profissional e a facilidade de se relacionar, uma vez que a experiência e os outros conhecimentos técnicos podem ser adquiridos ou aprimorados no cotidiano.

Se o senso de humor tem mesmo um poder decisivo para desempatar uma seleção concorrida como mostrou a pesquisa da CarreerBuilder, vamos analisa-la melhor.

O fator “rir de si mesmo” é algo muito valorizado nas relações pessoais. Demonstra maturidade e leveza para levar, superar e transformar adversidades e contratempos.

Conseguir debochar de situações cotidianas (e até as desagradáveis) deve ser feito no momento certo. Nenhuma empresa vai querer alguém que conta piadas o tempo todo, mas alguém que demonstre positividade e boa visão da vida e do cotidiano.

Uma brincadeira deve tanger sempre o próprio ambiente de trabalho, nunca a respeito da sua vida pessoal ou de outras pessoas.

Nas entrevistas e dinâmicas de grupo, o senso de humor deve vir acompanhado do bom senso. Devemos ter cuidado com a linha que separa uma pessoa com senso de humor e outra que seja inconveniente.

Fundamental mesmo é notar a abertura que o recrutador dá ao candidato. Um bom recrutador é aquele que consegue quebrar o gelo e deixar o entrevistado à vontade, e um bom candidato é aquele que responde bem à este estímulo.

Durante o momento da entrevista, os profissionais que se adaptam e interagem positivamente com o que é proposto pelo recrutador, têm grandes chances de contribuir para a manutenção de ambientes corporativos saudáveis.

A identificação entre recrutador e candidato foi, inclusive, o quarto fator de desempate mais citado na pesquisa do Career Builder que citamos no começo.

Envolvimento – trabalhos voluntários

Como constatado, a contribuição do candidato junto à sociedade também é algo muito valorizado e apontado como diferencial.

Para muitas empresas, esse envolvimento com ações sociais e engajamento com o próximo é tão importante quanto à responsabilidade sobre sua vida profissional.

Uma pesquisa realizada pela empresa de auditoria Deloitte revelou-se que 81% dos executivos da área de gestão de pessoas consideram a experiência adquirida pelos candidatos no voluntariado e 76% julgam que os mesmos já possuem um diferencial pelo fato de terem se engajado em trabalhos deste tipo.

No entanto, aqui no Brasil somente 25% da população já se envolveu com algum tipo de ação voluntária. Você já participou de alguma atividade desse tipo?

Quando uma pessoa se envolve com ações sociais acaba mostrando que consegue se motivar a fazer algo sem esperar nada em troca. E isso no trabalho é importante: desde auxiliar um colega em uma demanda, até o fato de encarar novas responsabilidades sem necessariamente ter uma mudança de cargo e salário.

Quem realiza ações voluntárias e sociais vivencia realidades distintas e tende a perceber o mundo de uma forma mais sistêmica e colaborativa.

A atividade de mesário nas eleições também pode ser um ponto a favor.

No entanto, é preciso que a pessoa busque sua atuação no voluntariado somente se tiver uma motivação para isso, pois certamente ela será questionada no processo de seleção. O recrutador vai querer saber o porquê do envolvimento.

Se você é, foi ou pretende ser voluntário(a) para resolver conflitos pessoais, ocupar um tempo ocioso ou simplesmente para constar no currículo, esqueça. Ou pelo menos tente não demonstrar isso na entrevista.

O trabalho voluntário é algo que demanda dedicação, amor e proatividade.

Muitas empresas (principalmente as que causam algum impacto social ou ambiental) possuem programas voltados para a responsabilidade social e contam com seus colaboradores para participarem de ações. Em geral, são ações ligadas à geração de renda, educação e empreendedorismo.

Para os gestores, a experiência do candidato em causas sociais tem um peso ainda maior na seleção.

Pensando pelo lado de quem precisa, as práticas voluntárias sociais são importantes para o alcance de metas das organizações do terceiro setor, que em geral por não possuem recursos financeiros para a contração de pessoas. Ao se dedicar a uma causa, um voluntario passa a desenvolver capacidades e habilidades como altruísmo e, por consequência, pode gerar um ambiente mais espiritualizado dentro das organizações.

Visual – a aparência como diferenciador

À primeira vista, parece futilidade pensar que o aspecto visual conte mais que outras características do candidato.

De fato não conta “mais”, mas conta! Mesmo inconscientemente, as pessoas associam melhor o fator psicológico com o que vemos na nossa frente.

Não adianta discutir, é fato. Obviamente o critério “beleza” é relativo, e o mundo não é feito de modelos impecáveis de revista.

Mas o que tem contado mesmo são aspectos ligados a cuidado e preocupação em manter uma aparência compatível com a atividade profissional.

Segundo pesquisas, a grande maioria (cerca de 70%) dos empregadores não procuram candidatos que estejam na moda e que sigam as últimas tendências das passarelas. No entanto, 65% dizem que a roupa pode ser o fator de desempate entre dois candidatos.

O critério também não é o preço das peças ou relacionado à formalidade da vestimenta. O segredo é estar vestido de acordo com o processo e o ambiente.

Ir de bermuda surfista para entrevista para vaga de cozinheiro não combina assim como não cabe ir de terno e gravata para seleção de vendedor de loja de artigos esportivos na praia.

Monte o figurino de acordo com o cargo desejado. Tenha em mente que é possível se vestir com elegância mesmo com um traje informal. Mais uma vez, é uma questão de bom senso na escolha e mistura de cores, texturas e estampas.

Roupas limpas e sem grandes amassos são fundamentais. As unhas também devem estar limpas e bem cuidadas.

Para mulheres, maquiagem leve, sapatos de salto médio ou sandálias e cabelos bem cuidados. Uma outra pesquisa feita pela Catho Online com 16 mil recrutadores de empresas privadas mostrou que os recrutadores preferem mulheres de calça e blazer (aquele terninho).

Comparando com pesquisas anteriores, o tal terninho para as mulheres passou a ser mais valorizado pelos selecionadores do que o tailleur (o conjunto de blazer e saia do mesmo tecido).

No caso das unhas femininas, elas não precisam estar necessariamente pintadas com esmalte, mas uma base discreta é o ideal. A discrição alias torna a candidata mais confiável para determinadas empresas.

Existem cargos que a sobriedade e formalidade não são requisitos necessários – como para a área artística e de comunicação, por exemplo. Nesse caso, não tem problema se for um pouco mais moderno, com uma roupa mais descolada, ou um cabelo com corte diferente.

Lembre-se sempre que além das nossas capacidades intelectuais e comportamentais, nós vendemos também nossa imagem.

Estar bem vestido(a) não ajuda apenas a passar uma boa impressão para os avaliadores, mas também uma forma de manter a autoestima! Não há dúvidas que quem está confortável se sente mais confiante e, por consequência, transmite segurança.

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A (in)fluência em diferentes idiomas

O domínio de outros idiomas pode aumentar em até 30% a renda mensal de um trabalhador, ainda segundo os estudos feitos pela Catho. Por outro lado, são poucas as pessoas que possuem fluência em um segundo idioma – por isso se torna um diferencial muitas vezes raro.

O inglês é o idioma campeão na procura. Ainda de acordo com o levantamento da Catho, os profissionais de níveis hierárquicos mais altos são os que possuem mais conhecimento no idioma, como presidentes (18,2%), vice-presidentes (16,1%) e diretores (18,6%). O nível hierárquico de trainee também mostra maior conhecimento na língua inglesa. Na pesquisa do ano de 2007, 22,4% dos respondentes falava inglês, enquanto dois anos depois, esse número subiu para 24,5%.

Às vezes a fluência nem é um item tão fundamental, visto que um conhecimento intermediário já ajuda bastante e faz candidatos ultrapassarem outros mais limitados. Uma coisa é conhecer um idioma, outra é dominá-lo.

Para quem possui uma segunda língua no currículo, é bom dar uma treinada antes e pesquisar no site oficial quais são os termos mais utilizados pela empresa. Isso pode evitar a famosa “travada” na hora da entrevista e transparece familiaridade com o negócio.

Algumas frases por exemplo são comuns no mundo dos negócios, e incorporadas pelas empresas brasileiras. Em inglês, temos alguns termos e expressões como feedback, networking, job, call, home office, core business, entre outras, que são diariamente utilizadas dentro das corporações, tornando-se essenciais para a comunicação entre colaboradores, empresas e parceiros.

E para quem quer desenvolver a habilidade de um novo idioma, existem hoje programas específicos para aliar o aprendizado de uma nova língua ao desenvolvimento profissional. É possível combinar um curso de idiomas com aulas particulares de negociação e apresentação em público, por exemplo.

Basta pesquisar e ir atrás.

Um pouco mais sobre comportamento e postura

Outros aspectos que contam muito em um processo de seleção é a capacidade do candidato em saber se vender. Empregadores não estão só procurando pessoas que são profissionais qualificados para a posição, mas também alguém que vai se encaixar na equipe e somar.

Claro que esse critério pode sofrer variações de acordo com a empresa, área ou cargo – já que existem diferentes critérios para vagas operacionais e gerenciais, por exemplo.

Mas a forma como você vende seu peixe também pode determinar sua contratação.

A expressão corporal conta bastante. O corpo diz muito mais sobre você do que o que você diz realmente na entrevista, e alguns profissionais de RH (psicólogos em geral) são especialistas em decifrar alguns gestos. Além disso, a sua postura, posição de pernas e braços… tudo revela o que realmente você é e sente, mesmo que esteja tentando esconder atrás das palavras “certas”.

Leia um pouco sobre expressão corporal e, principalmente, trabalhe a transparência e a verdade numa entrevista.

Claro que não precisa sair contando detalhes e coisas que não vão acrescentar em nada à conversa só para descontrair o ambiente e transparecer sinceridade. Nem sempre a sinceridade é sua aliada. A entrevista é, na verdade, umarelação de compra e venda, você está vendendo o seu serviço e o recrutador está querendo adquirir. O bom vendedor é aquele que atente uma necessidade, logo, é interessante que você demonstre que o seu serviço é o melhor para empresa que está oferecendo a vaga. É necessário mostrar que você é a melhor opção para preencher a vaga de emprego. Por isso, só se candidate e coloque a cara à tapa em empresas e vagas que realmente tenham a ver com o seu perfil, com o que você gostaria de fazer dali para frente.

Nesse aspecto, o marketing pessoal se mostra muito importante, mas isso não significa ficar a todo momento falando de si mesmo e parecer o melhor profissional do mundo – um egocêntrico de carteirinha. O ideal mesmo é que o recrutador reconheça em você o perfil que ele ou ela procura.

De olho nas redes sociais

Já pensou se um recrutador, em processo de dúvida, resolve checar as redes sociais dos candidatos na berlinda? É uma grande possibilidade.

Por isso, dê uma olhada nesse artigo que fizemos sobre o características dos perfis sociais que podem te queimar com chefes e recrutadores.

Muitas pessoas mostram justamente nas redes sociais quem elas realmente são: aspectos de personalidade, visão sobre temas da atualidade, comportamento social… Por isso é preciso seguir algumas regrinhas para não chamar atenção em um aspecto negativo.

Há também as dicas para incrementar as redes e agregar pontos positivos para quem te visita. Educação e bom humor são algumas das virtudes que são facilmente identificadas em poucos minutos com o olhar na tela.

Lidando com o preenchimento de fichas

Essa também pode ser uma etapa classificatória e, por isso, é importante ficar atento. As fichas são instrumentos que muitos recrutadores utilizam para coletar dados e organizar informações mais facilmente. Apesar de simples, algumas são longas e exigem um certo preparo e familiaridade. Na prática, você precisa destrinchar partes do seu currículo – resumo dos dados pessoais e experiências mais recentes.

Por isso, responda todos os itens com clareza, e não se esqueça de ter todos os documentos à mão, ou pelo menos o número deles. Uma estratégia é anotar tudo no bloco de notas do smartphone ou deixar como rascunho no e-mail.

Além dos dados básicos como identidade e CPF, tenha sempre o número da carteira de trabalho, número de reservista (para o sexo masculino), número do PIS/NIS, título de eleitor e CEP correto. Algumas empresas somente contratam funcionários que colocaram estes números na ficha, pois é uma forma prática de consultar os dados e verificar a veridicidade das informações, tanto no diálogo quanto no aspecto textual.

Não deixe nenhum campo vazio. Responda tudo de forma correta, objetiva e direta. Caso tenha que fazer texto de introdução ou algo do tipo, organize as ideias na clássica ordem de dissertação que aprendemos no colégio – início, meio e fim (ou pra ser mais exato, “introdução desenvolvimento e conclusão”).

Aprenda com os erros

Um exercício a se fazer em cada processo seletivo que você passa é anotar suas percepções logo depois, enquanto a mente ainda está fresca.

Pontue em um papel ou no computador aquilo que você acha que deu certo, que falou bem, e também aquilo que você “falou demais” ou pecou por não falar.

Toda entrevista deixa uma sensação de “eu poderia ter feito ou falado isso”, não é verdade?

Talvez o “isso” fosse realmente determinante para um passo a mais no processo.

Se ouviu perguntas das quais não soube responder na hora, repense como poderia ter respondido. Se possível, peça ajuda de algum amigo mais experiente no mercado de trabalho para opinar.

Focando no que faltou, você poderá se preparar melhor para o próximo processo e avançar mais casas quando estiver no páreo para uma vaga.

E você?

Há experiências em que acredita ter ficado muito próximo de conseguir uma vaga e acabou não conseguindo? Conte sua experiência através dos comentários. E para quem está esperando uma resposta, boa sorte!

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